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21.2.18

Três Cartazes à Beira da Estrada

Três Cartazes à Beira da Estrada
Martin McDonagh
2017
Filme
6 em 10

De todos os filmes com nomeações para Oscar, este era o que eu mais queria ver. Entretanto, a minha mãe tinha ido vê-lo ao cinema e apodou-o de "estranho". O que viria daqui?

Mildred perdeu a sua filha num brutal assassinato. Há sete meses que não tem notícias da polícia sobre o desenvolvimento do caso. Portanto, decide colocar três violentos cartazes à beira da estrada onde a jovem foi morta, de forma a chamar atenção para o caso. Isso virá a ter consequências terríveis para todas as pessoas desta cidade.

No fundo, existe neste filme sempre uma dicotomia de "a minha palavra contra a tua", algo que parece ser bastante típico do local que o filme tenta caracterizar. Neste sul profundo e rural, as pessoas são fortes, ignorantes e rápidas a tomar decisões sem fundamento. Isso leva a que tenham atitudes violentas. No entanto, é nestas atitudes que, uns com os outros, acabam por evoluir enquanto personagens.

O problema principal aqui é que, a todos os momentos, pensamos que o mistério se vai encaminhar para a resolução e isso, na verdade, nunca chega a acontecer. Aliás, o mistério chega a ficar mais denso, mas torna-se frustrante porque nunca vemos uma conclusão. O filme é, então, sobre os cartazes e sobre a influência deles nesta cidade. Mas se era assim, porque nos deixaram com vontade de saber o que aconteceu à rapariga?

As prestações dos actores são boas, mas não diria que são excelentes. Transmitem bem a força dos personagens, mas os personagens em si - sendo sólidos - não têm um potencial extraordinário. Talvez tenham feito o melhor com aquilo que tinham.

Algumas cenas, além disso, pareceram-me digitais: não havia integração com os cenários e a definição era muito maior do que a do resto das coisas em cena. Estranho....

Enfim, fiquei um pouco desapontada. Veremos o que diz a academia.

Durarara!!x2

Durarara!!x2
Omori Takahiro - Shuka
Anime - 12 Episódios + 12 Episódios + 12 Episódios + 2 OVA
2016
6 em 10

Bem, a minha nova PTW está recheada destas segundas seasons e terceiras e quartas de animes que não me interessaram na altura mas que, pelos vistos, interessam a uma grande fatia da população em geral.

Já mal me recordava da primeira season, mas fui ver uma sinopse e avancei. Este "x2" consiste em três seasons distintas, que vão avançando com uma história que tinha tudo para estar concluída. Pegamos nas personagens anteriores e damos-lhes uma importância desmedida. Juntamos uma série de emoções mais ou menos metidas a martelo e temos uma segunda season?

No fundo, não existe muito mais desenvolvimento do que aquilo que já tínhamos. Acrescentamos um mistério um pouco mafioso e fica-se por aí. Aliás, penso que os personagens, de tão emotivos ficarem e de se esforçarem tanto para fazer uma história que não existe em avançar, perderam completamente a sua caracterização inicial.

Como chora uma pessoa sem cabeça?

De resto, a animação está decentezinha e agrada à maior parte dos olhares. Existe uma fluidez no rascunho, apesar de os movimentos não serem especialmente detalhados. Musicalmente, temos algumas peças interessantes como OP ou ED, mas a banda sonora não se distingue.

Mais um e é isso.

Uma Noite de Verão

Uma Noite de Verão
Produções Acidentais/William Shakespeare
Texto - 1594/2018
Teatro

A propósito da participação de um amigo nesta peça, fomos ver a reposição ao Teatro-Estúdio António Assunção. Trata-se de uma adaptação do famosíssimo "Sonho de Uma Noite de Verão", do nosso grande amigo Abana-a-Pera. :)

O grupo optou por manter o texto, quase na sua forma integral, apenas com uns ligeiros cortes. e, na sua interpretação, muito naturalista, ficamos a ver o quão estas palavras se mantêm actuais e mesmo como um vocabulário desactualizado e complicado ainda nos consegue matar a rir.

A prestação dos actores foi surpreendente, tanto das melhores como das piores maneiras. Por um lado, temos um conjunto de profissionais que ficam aquém das expectativas. Por outro, temos um conjunto de amadores que ultrapassa em muito aquilo que lhes foi pedido e fazem um trabalho que, na sua simplicidade, funciona na perfeição.

Achei também que as opções de guarda roupa foram muito jocosas para a peça e, sobretudo no respeitante às fadas, preguiçosas e pouco coerentes.

A peça tem também alguns momentos musicais que ligam muito bem com o texto e com a densidade das personagens e que trazem sempre mais animação ao texto. Nota apenas para o estranho vídeo da vida selvagem, que por vezes fazia fugir a concentração.

De resto, um verdadeiro sucesso!

Watchmen

Watchmen
Zack Snyder
2009
Filme
6 em 10

Sendo que a banda desenhada é uma leitura essencial para qualquer fã do meio, será que o filme fica além das expectativas? Para tirar a prova, vimos um Director's Cut, por dois dias. :)

A adaptação é boa, sim, pode-se dizer isso. O filme segue exactamente a história, vinheta por vinheta, sendo que tem várias características visuais muito surpreendentes. Os cenários são altamente detalhados e o autor consegue captar muito bem todo o ambiente textual da banda desenhada. 

Uma das principais críticas a este filme foca-se nos actores. Não achei que fossem maus, ou que lhes faltasse química. Achei, talvez, que fossem todos demasiado belos (até os feios), sendo que os designs dos uniformes me pareceram muito modernos e "clean" para o contexto. Também me fez impressão toda a força que os heróis têm, que é muito distinta daquela das pessoas normais. Na banda desenhada eram, sem dúvida, mais frágeis e mais humanos na sua forma física.

Outro defeito é a utilização de animação digital, sobretudo para o rendering do Dr. Manhattan, que tira muito realismo à história. Falando neste, pareceu-me que a caracterização que lhe foi dada pelo actor foi, talvez, demasiado conclusiva e definitiva: demasiado humana para alguém que está perdendo a sua humanidade.

De resto, é um filme divertido e tem alguns detalhes que irão agradar aos fãs. O final foi um pouco desapontante, pois a apoteose final foi muito reduzida, mas parece-me que vale a pena. :)

Silêncio em Outubro

Silêncio em Outubro
Jens Christian Grondahl
1996
Romance
 
Romance de um autor Dinamarquês, país do qual não li muitos autores. Infelizmente, trata-se de um romance muito simples e muito novelesco, que raia a ponta do azeite, se é que na Dinamarca se produz tal néctar.
 
O narrador é um crítico de arte, altamente elitista, que estuda os americanos modernos e que é casado com Astrid, uma pessoa irrelevante apesar de encantadora. Aparentemente fizeram, no início do seu romance, uma viagem pela Península Ibérica (o que pode ser a causa de fascínio do leitor P Português por este livro). Um dia, Astrid desaparece e, pelo registo do seu cartão de crédito, o narrador pode ver que ela está a percorrer os mesmos locais por onde haviam viajado.
 
O narrador fala do seu casamento estagnado e em como nunca amou verdadeiramente, de forma apaixonada, esta mulher que agora desapareceu. Em vez disso, o autor prefere caracterizar este crítico de arte como mais um taradão insatisfeito, que se apaixona rapidamente pela mais jovem das carnes e pensa imediatamente em trocar de vida para ter uma companheira mais actualizada. Não hesita em trair a sua esposa e não hesita em remeter quase todos os seus pensamentos para a memória de uma ex-amante.

Portanto, o livro acaba por se tornar insuportável. O narrador é insuportável e o autor não parece entender que este tipo de pessoas não deve ser congratulada e apoiada dando-lhe o protagonismo num livro e desculpabilizando-o a todo o momento, tornando as suas atitudes nojentas em algo perfeitamente natural, como se fosse o certo a fazer.

Lixo.

16.2.18

Loving Vincent

Loving Vincent
Dorota Kobiela e Hugh Welchman
2017
Filme
6 em 10

Supostamente, o "primeiro filme inteiramente pintado à mão"! Mas uma real mentira!
 
 Passado um ano após a morte do pintor, Vincent Van Gogh, conta a história de um jovem chamado Armand, que está em busca da verdade sobre a morte daquele. Ele dirige-se aos lugares onde o pintor passou os seus últimos tempos e fala com diversas pessoas sobre o assunto, desenvolvendo a sua própria teoria da conspiração que, por sinal, não tem pés nem cabeça. O filme, em vez de falar do problema real do pintor, uma depressão profunda associada a outras doenças mentais e, possivelmente, estágios finais de sífilis, decide fazer de Van Gogh uma pessoa encantadora e maravilhosa que estava em paz com a vida. O que não é verdade, segundo consta.

Agora, falemos da animação. Supostamente brilhante, dizem eles. 65000 quadros pintados à mão para fazer este filme. E sim, há muitos quadros em pintura a óleo usados neste filme. Mas são todos postos em cima de actores, com rotoscópio! Batota! Mentira! Inteiramente pintado à mão é muito fácil, quando se tem tratamento digital em cima! É certo que temos cenas espectaculares em termos de movimento, mas na maior parte do tempo, há uma fraquíssima integração dos personagens no cenário (olhando para cada cena sabemos, exactamente, quais dos elementos se vão "mexer") e o tratamento da pintura sobre imagem fotográfica está bastante incapaz, pois é demasiado realista.

Os diálogos são fracos, pouco apropriados para a época, e a dobragem tão americana soa mal. O actor que faz de Van Gogh torna Van Gogh no pateta da terra, todo cheio de inocência e coitadice.

Um desapontamento e um filme mentiroso.



Tudo Sobre o Vinho do Porto

Tudo Sobre o Vinho do Porto - Os Sabores e as Histórias
João Paulo Martins
2000
Não-Ficção
Este é um livro prático que reúne diversas informações sobre a arte de fazer um vinho muito especial: o vinho do Porto. 

Com uma linguagem simples, embora por vezes empregando termos técnicos (que, de todos os modos, estão contemplados num glossário no final), o autor explica-nos a origem deste tipo de vinho e a forma como ele é produzido, desde a plantação das videiras, à vindima, passando pela definiçºão das castas e da mistura destas. Talvez a parte menos interessante tenha sido o discorrer sobre as classificações das culturas e dos vinhos, termos altamente técnicos e de difícil de compreensão para um leigo.

O autor também esclarece alguns mitos e lendas sobre este tipo de vinho, por exemplo "coloca-se uma vaca inteira dentro da pipa a derreter". Ainda bem que não há carne envolvida e que o tratamento do vinho, hoje em dia, é essencialmente vegan!

Aprendi também que ser enólogo tem muito mais de engenharia do que de bebedeira, para meu grande desapontamento.

Um livro interessante para quem tenha curiosidade sobre o assunto.