6.12.16

Macross 7

Macross 7
Amino Tetsuro - Production Reed
Anime - 49 Episódios + 4 + 3 OVA + 1 Filme
1994
7 em 10
 
Bem, chiça penico...! O tempo que demorei para terminar este anime! É certo que, com os extras, ficou bastante longo, mas a verdade é que tive de o interromper várias vezes para outras obrigações animescas.

Já havia visto algumas instâncias de Macross e, para ser sincera, não tinha gostado muito de nenhuma delas. Assim, esperava muito pouco deste anime, que acabou por me surpreender bastante!

A premisa é simples e comum a todos os Macross: quando o mundo em que vivemos (um Macross) é ameaçado por forças alienígenas muito perigosas, apenas a força da música o poderá salvar. Temos uma progressão da história bastante simples e muito focada na repetição de eventos inspirados nos animes anteriores (especialmente a história de Lynn Minmei), mas o que é realmente cativante aqui não é tnato a narrativa mas sim os personagens. Desta feita os cantantes não são estrelas pop vulgares, mas sim uma banda de rock um pouco mais alternativa, plena de energia e movimento. As suas interacções são, na maior parte das vezes, muito engraçadas, baseadas no desentendimento entre a banda que, apesar de tudo, consegue ultrapassar as adversidades através do poder da sua música.

A animação não é extraordinária na maior parte dos episódios, sendo que há bastante reciclagem de keys. Em outros, as cenas de acção, lutas entre robots espaciais, podem mesmo ser um pouco surpreendentes.

Mas o que mais me fascinou neste anime foi, sem dúvida, a banda sonora. As músicas destes "Fire Bomber" são intensas, enérgicas, dançáveis... Muito bem interpretadas e com linhas melódicas bastante compelxas. Adorei e fiquei cheia de vontade de a ouvir com mais atenção. Peca um pouco por, rapidamente, se tornar repetitiva. Graças a este anime já sei "Planet Dance" todo de cor...
 
Um Macross que se distingue dos outros e que me dá uma maior esperança de ver o resto do franchise. :)


Lavoura Arcaica

Lavoura Arcaica
Raduan Nassar
1975
Romance

Raduan Nassar, autor brasileiro, de São Paulo, ganhou este ano o prestigiado Prémio Camões pelo conjunto da sua obra. Curiosamente, fez menção de recusar o prémio por afirmar que nunca escreveu um livro na sua vida. Afinal, a sua carreira limitada ficou plenamente limitada aos primeiros quatro romances, sendo que depois foi imediatamente abandonada, ainda na juventude do autor. Por estas e outras razões, fiquei cheia de vontade de conhecer a sua obra, sendo que este volume me foi gentilmente cedido no BookCrossing, em formato e-book. :)

Trata-se de um livro denso, difícil, cheio de significados, com uma ligação à terra e à família muito perturbadora, assim caracterizada por sucessões de palavras, enumerações de sentimentos, comparações e metáforas, num discurso por vezes confuso, mas sempre bem direccionado ao objectivo final. Trata-se de uma história familiar, em que o personagem principal foge da sua vida e da sua casa, em oposição a uma opressão constante pela parte do pai e do irmão mais velho, que não permitem qualquer tipo de diversão e se dedicam, portanto, à lavoura, aos animais e à religião.

O narrador sente-se, portanto, incompleto e desesperado, sendo que há também uma ligação apaixonada a uma das irmãs que fica bastante clara ao longo da narratia. Por isso, afasta-se da família. No momento do regresso, uma espécie de "filho pródigo sempre retorna", apresenta-se uma oposição que se revela fatal, pela falta de compreensão da família tradicional em relação aos valores da modernidade.

Assim, trata-se de uma narrativa espectacular que coloca em cheque aquilo em que os "antigos" acreditam, versus o desespero da modernidade perante estas crenças desactualizadas.

Mas sem dúvida que se trata de um livro complexo, muito difícil de penetrar e compreender. Ainda assim, recomendo-o a quem se sentir com coragem :)

2.12.16

A Jangada de Pedra

A Jangada de Pedra
José Saramago
1986
Romance

Eventualmente o livro mais bizarro de Saramago que tive o prazer de ler.

Um grupo de pessoas faz coisas bizarras e, nesse momento, os pirinéus partem-se ao meio e a Península Ibérica começa a navegar mar afora. Essas pessoas depois encontram-se e desenvolve-se uma relação entre elas, para além do facto de os governos do mundo estarem a tentar lidar com a situação de dois países andarem a divagar pelo oceano.

Ao contrário de outros livros de Saramago, este pareceu-me estranhamente incongruente e, de certa forma, pouco planificado. Existem elementos da história que acontecem quase "por acaso", sendo que parece que subitamente o autor encontrava problemas (como o choque iminente com os Açores) e depois os solucionava de uma forma qualquer. Isto foi deveras estranho.

Para além disso as relações desenvolvidas entre os personagens, tão bem caracterizadas ao início, acabam por se tornar inconsequentes. Há por todo o livro uma imensa carga simbólica (no novelo de lã, na pedra em forma de barco, etc.) que, infelizmente, me escapou completamente. Ela está lá, mas qual o seu significado? Gostaria de ler alguma análise sobre este livro para que o possa compreender melhor, portanto se alguém tiver alguma sugestão será bem vinda :)

Apesar de tudo isto, o livro é muito rico em detalhes "Saramaguianos", tendo um discurso pleno de leveza e humor e trazendo sempre à baila temas difíceis, mas com tanto carisma que não podemos deixar de nos rir deles.

Um livro curioso que, como sempre, dá vontade de escrever.

1.12.16

A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares

A Casa da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares
Tim Burton
Filme
2016
6 em 10

Novo filme de Tim Burton, inspirado em livro homónimo (que fiquei com muita curiosidade em ler).

Um rapaz admira o seu avô, que está louco, demente. Para além disso sente-se excluído da sociedade em que vive. Quando o avô falece de forma inesperada e muito bizarra, o rapaz encenta uma viagem a uma ilha da Escócia, para encontrar a Casa da Senhora Peregrine, sobre a qual o avô lhe contava quando era criança, e esclarecer se é tudo real ou fantasia. Pois bem, a fantasia é real.

A primeira parte do filme é puramente Tim Burton. Todo o ambiente é actual, mas um pouco bizarro,pleno de pequenos detalhes que, sendo estranhos, fazem todo o sentido. Os personagens têm uma caracterização tanto interessante como adequada aos tempos em que vivemos hoje, sendo que os cenários são muito detalhados, assim como guarda roupa e maquilhagem.

É a partir do último terço do filme que tudo leva uma reviravolta que deita o filme por água abaixo. Subitamente, temos um conjunto de efeitos especiais de fraca qualidade que enchem todo o filme, que até agora era de uma fantasia muito ligeira e cheia de graça, de uma inconsequência fatal. Para além disso, o final inconclusivo deixa a nota de que vai haver sequela e triquela e quadrela e o que mais se faça.

Assim, acaba por ser um filme um pouco desapontante, embora tenha momentos muito curiosos. Também nos deixa na mão para saber como voltou a ser a vida "normal" do personagem principal, coisa que nos poderia ter demonstrado de forma mais evidente a sua evolução enquanto pessoa.

No entanto, talvez não remeta este filme para o esquecimento e acabe por ver as partes que se sequirem.

Carneiros

Carneiros
Grímur Hákonarson
Filme 
2016
7 em 10

Mais uma vez, fomos ao cinema na biblioteca, desta feita para ver um recente filme islandês que tem dado que falar.

No norte da Islândia, uma comunidade vive com e pelos seus carneiros, que criam e vendem e, de alguma forma, amam. Dois irmãos não se falam há quarenta anos e nem os carneiros os podem unir. Quando um dia se descobre que os animais estão infectados com scrapie e devem ser abatidos compulsivamente de forma a eliminar o foco da doença, um dos irmãos decide guardar alguns. Mas correm todos um grande perigo...

Este é um filme poético e contemplativo, que caracteriza o modo de vida numa região remota da uma ilha remota, para além de falar da evolução da relação fraternal e como um objectivo em comum pode acabar com todas as quezílias. Os personagens estão excelsamente caracterizados, com diálogos e discursos plenos de realismo e sempre com um toque de humor.

Mas o que mais me impressionou foram mesmo as imagens que, plenas de simplicidade, transmitem um ambiente nostálgico e praticamente inacessível, em que todos os elementos da natureza estão contra a humanidade e, mesmo assim, esta se consegue adaptar e viver os seus hábitos, descobrindo através dela coisas importantes para o seu crescimento colectivo.

Também a banda sonora me impressionou muito, sendo que o tema principal é uma peça em piano melancólica mas altamente viciante.

Um filme excelente que recomendo a todos os que tiverem oportunidade de o ver.

Flying Witch

Flying Witch
Sakurabi Katshushi - J.C. Staff
Anime - 12 Episódios
2016
6 em 10

Mais outro anime nomeado para o clube, embora não tenha visto críticas agressivas relativamente a este título, como no anterior (lol)

Trata-se de um fatia-de-vida muito simples, que segue o dia a dia de uma bruxa em fase educativa que se muda para uma zona mais ou menos rural do Japão de forma a completar a sua escolaridade. Muda-se para a casa de uns primos em segundo grau e, a partir daí, seguem-se pequenas aventuras diárias, em que se encontram outras bruxas e variados elementos mágicos das florestas e afins.

Em termos de fatia-de-vida, é um anime bem conseguido, devido às suas personagens cativantes e aos pequenos momentos em que as encontramos. No entanto, pareceu-me que há aqui um excesso de personagens, sendo bastante estranho que haja tantas bruxas por metro quadrado. Para além disso, a personagem principal deveria estar um pouco mais isolada pois, segundo o contexto que nos é dado, a aprendizagem solitária faz parte da emancipação da bruxa. Assim, não faz sentido que ela tenha auxílio constante pela parte da irmã.

A arte é interessante e bonita, sendo que todo o anime parece-se um pouco com u spot publicitário para a região. Apesar disto, considerando que estamos em meados dos anos 10, este tipo de cenário já perdeu muito da sua espectacularidade, sobretudo quando muitos elementos têm animação digital tridimensional, o que se nota bastante na integração.

Musicalmente, temos uma OP simpática mas pouco mais. Não é um anime primoroso em termos de efeitos sonoros em adição com os efeitos visuais.

Um bom anime dentro do género, mas de resto pouco distinguível.

29.11.16

Mayoiga

Mayoiga
Mizushima Tsutomu - Diomedea
Anime - 12 Episódios
2016
6 em 10

Quando comecei a ver este anime e vi o rating geral nos sites habituais, fiquei um pouco espantada. Afinal, tinha sido recomendado pelo clube e, por lá, não costumam fazer destas. Depois de ler algumas reviews, a conclusão que se tira é que a opinião geral é de que se trata de "uma comédia intencionalmente não-intencional". Mas depois da minha própria visualização chego à conclusão de que isto não passa de um patético mémé criado pelo hábito da crítica destrutiva. Para mim, não passou de um anime de terror-mistério perfeitamente standard.

Vejamos.

Um grupo de pessoas deseja afastar-se da sua vida e, por isso, reúnem-se numa viagem, um tour, para uma misteriosa cidade que não está nos mapas. Lá chegados, vêem-se perseguidos por monstros imensos e disformes e começa a haver uma desconfiança geral entre os membros do grupo. Mais tarde, ficamos a saber que estes monstros representam os traumas do passado destas pessoas, isto é, precisamente as razõe que as levaram a ir para esta aldeia.

A ideia é muito interessante, mas considerando a quantidade de personagens que nos são apresentados necessitaria de muito mais episódios para ser concretizada devidamente. Os momentos ditos "cómicos" foram, para mim, ligeiramente perturbadores, na medida em que o pessimismo sempre presente nos indica que nada irá correr bem. A menos que uma pessoa esteja imediatamente remetida para o elemento de que se trata de uma (suposta) comédia, não acredito que alguém o sentisse desta forma.

A animação não é muito má, mas também não tem excelência. Os monstros estão animados em 3D e acabam por ter um efeito muito pouco assustador se os desligarmos dos traumas que a eles estão associados. Já o design dos personagens é moderno mas muito pouco variável, sendo que acabam por se tornar indistinguíveis, ajudando a isto o facto de a maioria deles nem sequer sofrer uma caracterização para além do seu nome ou nickname.

Musicalmente, temos canções mal ajustadas ao conteúdo na OP e ED, apesar de os efeitos sonoros adicionarem uma boa aura de melancolia e pavor às cenas.

Portanto, não confiem nas críticas cegas. Vejam por vós próprios.